DIAS ASSIM
Há dias assim.
Amanhecem estremunhados e desolados
arrancam-se à cama
cansados e
quase desmaiados
vestem-se de um pálido cinzento
e sem um único lamento
rompem pelo tempo adentro
arrastando-se devagar
frágeis e
esqueléticos
numa marcha adormecida
que não faz lembrar vida
nem outra brisa qualquer.
Bebem minutos turvos e
comem horas caladas
sozinhos à mesa
tamborilando os dedos inquietos
sem respirar
e fechando os olhos devagar
como que a desejar
que a noite se lembre de voltar
abraçada a um doce e quieto entardecer
nascido para fazer esquecer
que há muitos
muitos dias assim
aqui
tão perto de mim.
aqui
tão perto de mim.


