NAVE ESPACIAL
Pegou nos trastes velhos que tinha na arrecadação... serrou,
partiu, colou, soldou, atou, limou, pintou... e acreditou. Já de madrugada,
arrastou-a para o quintal. Olhou-a com carinho e orgulho. Meteu-se lá dentro,
fez-se forte e corajoso e remou pelos céu. Via-a ao longe, brilhante e
sorridente, com a sedução no olhar e a tranquilidade no sorriso. Disse baixinho
– estou quase a chegar! – e, com a força que só
o sonho pode dar, remou até ela de um só fôlego, com a determinação de
quem está certo que aquela seria a última noite de lua cheia.




